Rua Reinoso Fernandes, Vila Carrão (anos 40)

Vila Santa Isabel, Zona Leste de São Paulo, bairros de São Paulo, história de São Paulo, Vila Formosa, Tatuapé, Aricanduva, Vila Matilde
Colaboração: Vera Benatti

A nossa rua é a Reinoso Fernandes. Eu e a minha irmã nascemos nela, na casa de nossos pais, o Sr. Armando e da Dona Alice. Eles vieram para cá no ano de 1947.

Nossa, quanto tempo faz... com eles, mocinhos, mocinhos (minha mãe era linda, linda) vieram a Dona Judith e o Sr. João (o Bahia), a Dona Iracema e o Sr. Flávio, a Dona Lila e o Sr. Rodolfo, a Dona Beatriz, o Sr. Augusto, a Dona Virginia, que saudades deles... todos com casas simples, simples mesmo.

Um pouquinho mais tarde, a Fátima e o Cláudio, a professora Lúcia, a Alice, quanta gente boa. Quando eu nasci, a minha rua não tinha asfalto, não tinha água encanada, iluminação pública, só tinha esperança e alegria.

Quando minha irmã nasceu, já estava com asfalto e iluminação (não pergunte minha idade, hein?), vejam só a foto que achamos!

A gente brincava na rua, o Wilson, o Wagner, a minha amiga Márcia (irmã do Mauro da banca de jornais), o Laércio, a Fátima ,a Wilma, a Meire. A nossa rua sempre foi calminha, não me lembro de grandes "causos" que tenham feito dela manchetes, do jeitinho que toda rua deveria ser.

Indo buscar nossa vida, saímos da nossa rua, eu advogada, minha irmã médica, mas, sempre que falávamos de nossas origens, nos referimos à Reinoso como a nossa rua, gozado, né?

Hoje ela é movimentada, como todo o bairro de Vila Carrão.

Sabe que um dia a traz, conversando com um cobrador do Terminal São Mateus, falando que eu morava na Reinoso ele, muito solene, me disse que era lugar de gente rica, já pensou?

E o meu pai, o Sr. Armando, nem poderia imaginar!

Nossos pais não estão mais com a gente, não puderam ver que o bairro que eles ajudaram a criar tem até uma revista, muito bonita, por sinal. Certamente não podemos nem devemos comparar as épocas mas, infelizmente, não conhecemos mais tão bem nossos vizinhos como naquele tempo, já não se vê crianças na rua (e nem podem, claro) as donas de casa varrendo a calçada.

A vida nos empurra para isolamento dentro de casa, a TV, a internet suprem nossas necessidades de informação e cultura, um mundo maravilhoso na ponta de nossos dedos!

Não é saudosismo, não, é pura constatação, adoro a época atual! E na nossa rua vai passando carros (inclusive os do Omar...), caminhões, pessoas conhecidas de vista, pessoas desconhecidas, que a usam como caminho sem ter idéia que ela faz parte da criação da história de nosso bairro pois, antes de um país, de um estado, de um município, é a na nossa rua que a vida acontece, que se cria o progresso.

Pois é, agora as casas são lindas, modernas, reformadas ou refeitas, de pessoas que adotaram a Reinoso como sua rua, que apostaram nela. Mas a Reinoso será sempre a nossa rua!

Brilhante e emocionante colaboração de Vera Benatti


Foto: Vera Benatti

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