A lavagem difícil da fachada do Santuário Santa Isabel Rainha, Vila Santa Isabel

Vila Santa Isabel, Zona Leste de São Paulo, bairros de São Paulo, história de São Paulo, Vila Formosa, Tatuapé, Aricanduva, Vila Matilde, futebol de várzea, campos de várzea Benedito Calixto Neto, Basílica de Aparecida, Monsenhor Ciro Turino, Padre José Carlos Anjos, Basílica de São Pedro, São Luis do Paraitinga, São Roque
Foto: Rogério de Moura
Fosse nome de filme, seria "Duro de Limpar".

Mauro e Joaquim, que trabalham na paróquia, até que tentam. Mas é difícil.
Todas as manhãs, esse é o saldo que os sem-teto deixam em frente ao Santuário Santa Isabel Rainha, após uma noite de brigas regadas a álcool, drogas e outras atividades, digamos, obscenas: carrinhos de supermercado cheios de lixo, garrafas de cachaça vazias, potes de todos os tamanhos, galões de água sujos, roupas e sacolas com fezes, uma variedade de entulho, além de restos de comida que pessoas generosas levaram à noite e que, na prática, alimentam os pombos. Soma-se a esse panorama um mal cheiro difícil de sair das narinas. 
Os beirais das janelas, os galhos das árvores e as plantas do jardim são transformados em armário e guarda-roupa. Qualquer canto tornou-se um banheiro. Os sem-teto defecam na escadaria e se limpam no corrimão. Há pedaços de fezes que um distraído pode acabar colocando a mão.
Um triste panorama que se espalha pela rua, pelos imóveis vizinhos.
Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo... Para os sem-teto, pouco importa. 
Por mais que se retire o entulho, no outro dia, mais entulho é trazido, num ciclo contínuo e interminável.


Rogério de Moura

0 comentários:

Note: Only a member of this blog may post a comment.